
Alvorotar de emoções:
Sentimentos reclusos -
Alma em rebelião.
(Poetrix XXII)
Poesia, Prosa e reflexões, por Alexandre Piccoli

Preciso é, por vezes, refletir acerca da validade de nossos pensamentos e visões de mundo. Revisitar dogmas e princípios. Pôr em cheque nossa posição constituída. Nesse contexto, como análise da significância da vida, merece ser lembrado o aforismo nietzschiano do eterno retorno ao mesmo.
Em síntese, imaginar que a vida, eternamente, esteja fadada a repetir-se, momento após momento, do limiar ao término da existência.
A par de repercussões filosóficas ou metafísicas mais densas do pensamento de Nietzsche, complexo e díspar, a alegoria do eterno retorno permite repensar, sob ótica crítica, e mesmo mordaz, os rumos tomados por nossas existências.
Imagine-se no presente segundo. Faça de conta que, a partir dele, toda sua existência tenha de ser revivida, instante a instante, momento após momento, ad aeternum. Cada dor, dissabor, ódio, vício, paixão, amor ou inércia haveria de renovar-se indefinida e eternamente, tal qual já o foi. Seria esta, a seus olhos, agradável idéia ou insuportável fardo??
Vale a pena pensar: que estamos fazendo de nós?? Dirigimo-nos de forma a dignificar cada instante de nossas vidas, fazer com que cada comportamento, ação, emoção, seja digno de retornar eternamente??
Esquecemo-nos, com irrazoável constância, que existir não é viver. Que o hoje, de fato, é tudo que temos, pois cada dia pode ser o último, e um deles, efetivamente o será.
Errar é humano; passar em branco é covardia. Afinal, como disse o poeta, tudo vale a pena, se alma não é pequena.
