sexta-feira, 17 de julho de 2009

Eis-me em conflito (vez outra...)




Alvorotar de emoções:
Sentimentos reclusos -
Alma em rebelião.

(Poetrix XXII)

terça-feira, 7 de julho de 2009

Um crônica do eterno retorno




“E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais
solitária solidão e te dissesse:
"Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste,
terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela
nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento
e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno
e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência -
e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo
este instante e eu próprio.
A eterna ampulheta da existência será
sempre virada outra vez - e tu com ela, poeirinha da poeira!".
Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e
amaldiçoarias o demônio que te falasses assim?
Ou viveste alguma vez um instante
descomunal, em que lhe responderias:
"Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!"
Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és,
ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa:
"Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?"
pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir!
Ou, então, como terias de ficar de bem contigo
e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa
última, eterna confirmação e chancela?”
(Nietzsche)







Preciso é, por vezes, refletir acerca da validade de nossos pensamentos e visões de mundo. Revisitar dogmas e princípios. Pôr em cheque nossa posição constituída. Nesse contexto, como análise da significância da vida, merece ser lembrado o aforismo nietzschiano do eterno retorno ao mesmo.

Em síntese, imaginar que a vida, eternamente, esteja fadada a repetir-se, momento após momento, do limiar ao término da existência.

A par de repercussões filosóficas ou metafísicas mais densas do pensamento de Nietzsche, complexo e díspar, a alegoria do eterno retorno permite repensar, sob ótica crítica, e mesmo mordaz, os rumos tomados por nossas existências.

Imagine-se no presente segundo. Faça de conta que, a partir dele, toda sua existência tenha de ser revivida, instante a instante, momento após momento, ad aeternum. Cada dor, dissabor, ódio, vício, paixão, amor ou inércia haveria de renovar-se indefinida e eternamente, tal qual já o foi. Seria esta, a seus olhos, agradável idéia ou insuportável fardo??

Vale a pena pensar: que estamos fazendo de nós?? Dirigimo-nos de forma a dignificar cada instante de nossas vidas, fazer com que cada comportamento, ação, emoção, seja digno de retornar eternamente??

Esquecemo-nos, com irrazoável constância, que existir não é viver. Que o hoje, de fato, é tudo que temos, pois cada dia pode ser o último, e um deles, efetivamente o será.

Errar é humano; passar em branco é covardia. Afinal, como disse o poeta, tudo vale a pena, se alma não é pequena.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

À vida, pela vida




Olho p'ro céu
Como quem brinda a existência.
Por vezes, viver é o bastante.

(Poetrix XXI)

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Livre sonho





Muito além da fantasia,
Contigo verso, ousar posso:

Todo meu sonho auspicias.


(Poetrix XX)

terça-feira, 30 de junho de 2009

Há um tempo





Há um tempo...
Que a desesperança veste de negro
De cantos entoados, ressoando a morte
De horizonte despido de luzes.

Há um tempo...
De inefável negrez
Quando a vida é fardo
E o cansaço a si não suporta.

Há um tempo...
Em que o passado é tolo,
Cruel o presente
E o futuro...
Dera não vê-lo.

Há um tempo...
Quando nem a dor é percebida
Pois a dor é universo
Carne, sonho,
Flor, semente e caminho.

Há um tempo...
Em que os rostos são máscaras
Os risos são máscaras
O olhar é máscara.

E bizarra é a máscara...

Há um tempo
Em que vão o próprio tempo.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

In fine, el fin




Sepultei-te hoje na memória da alma
Sem jus a apelo ou ressurreição:
Com o tempo, vem o tento.


(Poetrix XIX)

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Loa aos percalços (vida plena)




Não hei, dor, de evitar-te
No arredar-te constante
A dor maior reside.


(Poetrix XVII)

quinta-feira, 25 de junho de 2009

À vida, mais vida




Viver sem paixão (incálidos gestos)
Seguir sem amor (no nada, sereno)...
Vida ??


(Poetrix XVI)

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Surreal visão de teu relevo




Irradiando estrelas em teu seio,
Driblando o espaço-tempo com tuas curvas,
Nada comum.


(Poetrix XV)

terça-feira, 23 de junho de 2009

Ao sonho, no ocaso do possível




Etéreo sonho,
De dogmas vazio,
Isento de tabus, leve de certezas
Puro sem pureza.

Nos nãos renascido
Brotado dos risos, em lágrima, calados
Da fronte cerrada
Em querer-não-poder.

Bravo revives
- teimosia das noites -
À dura jornada
De infindável impeço.

Quiçá,
Na curva tua, distante
Esconda-se a felicidade.

Se falta a vida
Que sobre o sonho
Que triunfe o delírio
No ocaso do possível.

Auto-análise


Sóbrio em gestos,
Sentimento incontido:
Sina de poeta.

(Poetrix XIV)

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Um recado ao pessimismo que me ronda




Desventuras,
Rio de vós.
Insisto na vida.

(Poetrix XIII)

Dessincronia





Olhos teus,
Olhos meus,

Olhar ao longe.


(Poetrix XII)

domingo, 21 de junho de 2009

Ao poetrix




Poetrix,
Alma em síntese,
Pílula de vida.


(Poetrix XI)

sábado, 20 de junho de 2009

Sem rótulos




Ni bien, ni mal
- solamente -
amor y deseo.

(Poetrix X)

Ao ideário de cada dia




Não sou coerente.
Não quero sê-lo.

Muitos eus me habitam.

(Poetrix IX)

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Reminiscências


Foi-se o instante
Fez-se a partida
Recordo.


(Poetrix VIII)

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Não fenecem os sonhos, dormitam



Sonhos em clausura
Ressurgem
Na curva do alvorecer.

(Poetrix VII)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

À luz, o poema



O poeta é um parturiente

- da palavra estéril –

Traz à luz o sentimento

Pedaço de alma talhada em verso

Motes mil, tristeza e encantamento

Da emoção do criador

Vida própria e liberdade

Na magia do poema

E assim

Tal qual mãe/fêmea

Segue o poeta a sina sua

Da paixão fecundada

Parir poemas

Dia a dia

Hora a hora

Nova luz à emoção.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Digo-te: Adeus



Digo-te, na derradeira hora:
Adeus.

Devo seguir ao novo
Buscar passos por muito sepultos
Caminhos não vividos
Medos, por medo escondidos
Tropeços por tanto evitados
Vida em vida.

Desconheço a senda à espera
Sequer sei – angústia- se calo ou exalto.

Não há, contudo, de silenciar-me a dúvida
Antes o erro vivido
Que a perpétua inércia do nada.

Não hei de julgar-te, tampouco
Dizer se mereces riso ou pranto
Saudade, dó ou castigo
Pois tu, como o mundo
Hidra de mil faces
Em uma, és tantas
Ódio, amor, verdade, mentira
Doce metade, mas minha algoz.

Falhei também, reconheço
Errei, erraste, erramos,
Deixai, porém, as faltas em seu sepulcro
Sem mágoa a embotar o peito
Fique a lembrança de felizes instantes.

Foi-se o amor, sem parada
Acabou-se nosso momento
Sentenciou o destino
(sem apelo).

Siga também, liberta
Cavalgue o tempo
Reveja juízos
Desate nós
Repense rumos.

Que o leito órfão
Não sinta minha ausência
Nem a despedida
Pegue-nos em pranto.

Que a hora do amanhã
Não viva em função do ontem
Que a memória não seja a vida.

Adeus.

Chama-me o mundo.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Sina de amar



Destinos traçados
Caminhos cruzados:
Inevitável te amar.

(Poetrix VI)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Alma Liberta


Elixir da agonia abrasante,
Serena-me verso, por instante
Breve guarida - eterno sonhar.

(Poetrix V)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Miragens


Pés ao chão,
Pensamentos ao vento:

Sonho acordado.

(Poetrix IV)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Incertezas


Caminhos muitos
Escolhas tantas

Decido??

(Poetrix III)

Infância Perdida


Rotas roupas,

Um pão a pedir:

Infância??


(Poetrix II)

sábado, 31 de janeiro de 2009

Melancolia


Chuva torrente
Coração lancinado
Ponho-me ao leito.

(Poetrix I)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Ciclos



Amor
Desamor
Amor
Ciclo da vida
Renovação.

Nada se cria
Nada se perde
Tudo se transforma:
Amar novamente.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Ao habitáculo de teu ventre



Habitáculo mor do sonho e desejo,
Porto inseguro de cru pensamento
Fez-lhe, o incontido momento,
Fonte infinda do doce pecar.

Buscar-lhe-ei, senhora, em cio
Por inebriante vale, várzea e mata,
Chão e inculto que arrebata
Toda graça em negação.

Indevassável manto que acolhe
Gentil, memórias santas
Suspiros e confissões quantas,
Desvarios do eterno querer.

Oculta aos olhos, penitente
Louvada em artes, verso e imagem
Traz do mundo, nua, a inteira voragem,
De habitar-lhe no gozo inclemente.

Habitáculo de teu ventre...
Habitáculo de teu ventre...

Da testosterona fez-se deusa
Dogma absoluto que refuta
- em sua essência - bem ou mal
Eminência parda que governa
Todo ser que homem se fez.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Eu Poeta


O eu-poeta, que, insistente, tento ser
Feição oculta de emoções antigas
Confidente único do eu verdadeiro
Do alguém que se esconde por detrás das máscaras
Das aparências solenes do contemplar.

Única testemunha de meu pranto
Ofertando, nos versos seus, consolo
Vivenciando todas as angústias minhas
Todos os medos que tinha
E q'inda hoje em minha alma estão.

É esse o eu-poeta de minha incerta vida
Que tudo ouve, tudo sabe e compreende
E das tristezas minhas faz
Uma arte, em derradeiro, pobre
Mas verdadeiramente sincera.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Mãos ao solo



Semeia o chão peão
Semeia a terra nossa
E rega com carinho
Pois aí a vida brota
Cuida bem das folhas moças
Logo, logo, numerosas
Com as suas mãos ao solo
Faz da planta mui viçosa
Dê-nos ela o alimento
Flor e encanto - primavera
Semeia o chão peão
Põe a sua mão na terra.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Por ti, um verso (a Lola II)

Escrevo, por ti, um verso 
Um hino, um canto de amor 
Que fale de sentimento 
Acalme, por dentro, a dor, 
Puro, simples, impensado 
Sem juízo, nem razão 
Não feito os prudentes homens 
Que, na razão, perdem a vida 
Sem saber que a razão da vida 
É amar, de devoção.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Procura


Procuro:
No mundo, um sentido
O quê das tristezas, dos desenganos
Das paixões sofríveis, do querer-não-querer
O porquê da simplicidade ... da felicidade
Do ânimo dos corações aflamados.

Procuro:
Razão para a vida.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Teimosia de Estudante (em memória a tempos idos)


Não quero livros
Nem sabatinas
Ou dicionários
A percorrer
Um não às noites
Tão mal dormidas
Na volúpia do aprender
Quero a vida bem diferente
Aconchegante, simples e bela
A fluir, o tempo sem pressa
Ou compromissos a já cumprir
Olhar estrelas e fazer troça
Ao meu amor
Contar histórias
E as horas, outrora senhoras,
A passarem despreocupadas.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Adeus


Adeus - te digo - vai feliz sem medo
Adeus amada, até talvez um dia
Vai, mas não creia no riso da despedida:
Ele esconde lágrimas de sem fim lamento.
Tampouco creia no frio cumprimento
Ou no aceno que à distância lanço
Ignore tudo que lhe faça ou diga
E ouça de minh'alma o humilde ensejo
O mundo é nada - o amor tudo
Esqueça o resto, o adeus, e fica.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Faces de mim


Um, dois, tantos de mim...
volúveis, inumeráveis,
perdidos
em procura infinda:
jamais me encontro.
De alma variante
por vezes canto
n'outras pranteio
vazio por instantes
- vácuos de vida e sonho -
acaso me descubro
(no aguardo da dúvida por vir)
inconstante qual a inconstância
calo, rio ou choro,
sentimento após sentimento,
ou todos - no momento mesmo.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Veni, vidi, vici


Veni,
Vidi,
Vici...

Vim,
Vi,
Venci??

Ilusão, sofisma, engano,
Alimento tolo de esperanças vãs
Sopro profano e vazio
No morto fogo desta
Inépica (real) vida
Que nos doma e possui.

Sem rumo segui,
Imaginei,
Falseei.

Belas frases:
Raras verdades.

domingo, 4 de janeiro de 2009

À lua


Lua...pela bruma encoberta
Confidente solitária de amores tantos
Ouçai minhas queixas - velha amiga
Diga como posso, por favor diga
Agora e sempre, e de vez por todas
Tê-la a meu lado num momento eterno
E na perpétua ventura das saudades belas
Celebrar - realizado - o cálice dos sonhos.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Poema torto


Este poema
que insisto...tento escrever
Não tem forma de verso
tampouco de prosa
Não tem nas palavras
louvores que quero
Nem guarda um sentido
de amor pra dizer
É verso pobre
sem rima ou métrica
Mas tem n'alma um desejo
que com o meu se confunde
Quer ele cantar
os amores da vida
E eu, da vida,
teu amor verdadeiro.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Felicidade


Felicidade, com simplicidade coincide:
Em tudo ver os encantos da vida
(e o próprio não-belo ornamentar).

Flores, crianças, versos, luar,
Amor
Numas faces de moça,
O choro que cede ao riso.

Não a procure nas epopéias,
Grandes feitos ou – tampouco,
No projetado futuro
(eterno distante).

Felicidade – ao alcance,
É bem viver a vida
Na simplicidade dos atos todos.
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