
O eu-poeta, que, insistente, tento ser
Feição oculta de emoções antigas
Confidente único do eu verdadeiro
Do alguém que se esconde por detrás das máscaras
Das aparências solenes do contemplar.
Única testemunha de meu pranto
Ofertando, nos versos seus, consolo
Vivenciando todas as angústias minhas
Todos os medos que tinha
E q'inda hoje em minha alma estão.
É esse o eu-poeta de minha incerta vida
Que tudo ouve, tudo sabe e compreende
E das tristezas minhas faz
Uma arte, em derradeiro, pobre
Mas verdadeiramente sincera.

