sábado, 31 de janeiro de 2009

Melancolia


Chuva torrente
Coração lancinado
Ponho-me ao leito.

(Poetrix I)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Ciclos



Amor
Desamor
Amor
Ciclo da vida
Renovação.

Nada se cria
Nada se perde
Tudo se transforma:
Amar novamente.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Ao habitáculo de teu ventre



Habitáculo mor do sonho e desejo,
Porto inseguro de cru pensamento
Fez-lhe, o incontido momento,
Fonte infinda do doce pecar.

Buscar-lhe-ei, senhora, em cio
Por inebriante vale, várzea e mata,
Chão e inculto que arrebata
Toda graça em negação.

Indevassável manto que acolhe
Gentil, memórias santas
Suspiros e confissões quantas,
Desvarios do eterno querer.

Oculta aos olhos, penitente
Louvada em artes, verso e imagem
Traz do mundo, nua, a inteira voragem,
De habitar-lhe no gozo inclemente.

Habitáculo de teu ventre...
Habitáculo de teu ventre...

Da testosterona fez-se deusa
Dogma absoluto que refuta
- em sua essência - bem ou mal
Eminência parda que governa
Todo ser que homem se fez.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Eu Poeta


O eu-poeta, que, insistente, tento ser
Feição oculta de emoções antigas
Confidente único do eu verdadeiro
Do alguém que se esconde por detrás das máscaras
Das aparências solenes do contemplar.

Única testemunha de meu pranto
Ofertando, nos versos seus, consolo
Vivenciando todas as angústias minhas
Todos os medos que tinha
E q'inda hoje em minha alma estão.

É esse o eu-poeta de minha incerta vida
Que tudo ouve, tudo sabe e compreende
E das tristezas minhas faz
Uma arte, em derradeiro, pobre
Mas verdadeiramente sincera.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Mãos ao solo



Semeia o chão peão
Semeia a terra nossa
E rega com carinho
Pois aí a vida brota
Cuida bem das folhas moças
Logo, logo, numerosas
Com as suas mãos ao solo
Faz da planta mui viçosa
Dê-nos ela o alimento
Flor e encanto - primavera
Semeia o chão peão
Põe a sua mão na terra.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Por ti, um verso (a Lola II)

Escrevo, por ti, um verso 
Um hino, um canto de amor 
Que fale de sentimento 
Acalme, por dentro, a dor, 
Puro, simples, impensado 
Sem juízo, nem razão 
Não feito os prudentes homens 
Que, na razão, perdem a vida 
Sem saber que a razão da vida 
É amar, de devoção.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Procura


Procuro:
No mundo, um sentido
O quê das tristezas, dos desenganos
Das paixões sofríveis, do querer-não-querer
O porquê da simplicidade ... da felicidade
Do ânimo dos corações aflamados.

Procuro:
Razão para a vida.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Teimosia de Estudante (em memória a tempos idos)


Não quero livros
Nem sabatinas
Ou dicionários
A percorrer
Um não às noites
Tão mal dormidas
Na volúpia do aprender
Quero a vida bem diferente
Aconchegante, simples e bela
A fluir, o tempo sem pressa
Ou compromissos a já cumprir
Olhar estrelas e fazer troça
Ao meu amor
Contar histórias
E as horas, outrora senhoras,
A passarem despreocupadas.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Adeus


Adeus - te digo - vai feliz sem medo
Adeus amada, até talvez um dia
Vai, mas não creia no riso da despedida:
Ele esconde lágrimas de sem fim lamento.
Tampouco creia no frio cumprimento
Ou no aceno que à distância lanço
Ignore tudo que lhe faça ou diga
E ouça de minh'alma o humilde ensejo
O mundo é nada - o amor tudo
Esqueça o resto, o adeus, e fica.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Faces de mim


Um, dois, tantos de mim...
volúveis, inumeráveis,
perdidos
em procura infinda:
jamais me encontro.
De alma variante
por vezes canto
n'outras pranteio
vazio por instantes
- vácuos de vida e sonho -
acaso me descubro
(no aguardo da dúvida por vir)
inconstante qual a inconstância
calo, rio ou choro,
sentimento após sentimento,
ou todos - no momento mesmo.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Veni, vidi, vici


Veni,
Vidi,
Vici...

Vim,
Vi,
Venci??

Ilusão, sofisma, engano,
Alimento tolo de esperanças vãs
Sopro profano e vazio
No morto fogo desta
Inépica (real) vida
Que nos doma e possui.

Sem rumo segui,
Imaginei,
Falseei.

Belas frases:
Raras verdades.

domingo, 4 de janeiro de 2009

À lua


Lua...pela bruma encoberta
Confidente solitária de amores tantos
Ouçai minhas queixas - velha amiga
Diga como posso, por favor diga
Agora e sempre, e de vez por todas
Tê-la a meu lado num momento eterno
E na perpétua ventura das saudades belas
Celebrar - realizado - o cálice dos sonhos.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Poema torto


Este poema
que insisto...tento escrever
Não tem forma de verso
tampouco de prosa
Não tem nas palavras
louvores que quero
Nem guarda um sentido
de amor pra dizer
É verso pobre
sem rima ou métrica
Mas tem n'alma um desejo
que com o meu se confunde
Quer ele cantar
os amores da vida
E eu, da vida,
teu amor verdadeiro.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Felicidade


Felicidade, com simplicidade coincide:
Em tudo ver os encantos da vida
(e o próprio não-belo ornamentar).

Flores, crianças, versos, luar,
Amor
Numas faces de moça,
O choro que cede ao riso.

Não a procure nas epopéias,
Grandes feitos ou – tampouco,
No projetado futuro
(eterno distante).

Felicidade – ao alcance,
É bem viver a vida
Na simplicidade dos atos todos.
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