domingo, 25 de janeiro de 2009

Ao habitáculo de teu ventre



Habitáculo mor do sonho e desejo,
Porto inseguro de cru pensamento
Fez-lhe, o incontido momento,
Fonte infinda do doce pecar.

Buscar-lhe-ei, senhora, em cio
Por inebriante vale, várzea e mata,
Chão e inculto que arrebata
Toda graça em negação.

Indevassável manto que acolhe
Gentil, memórias santas
Suspiros e confissões quantas,
Desvarios do eterno querer.

Oculta aos olhos, penitente
Louvada em artes, verso e imagem
Traz do mundo, nua, a inteira voragem,
De habitar-lhe no gozo inclemente.

Habitáculo de teu ventre...
Habitáculo de teu ventre...

Da testosterona fez-se deusa
Dogma absoluto que refuta
- em sua essência - bem ou mal
Eminência parda que governa
Todo ser que homem se fez.
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