
Habitáculo mor do sonho e desejo,
Porto inseguro de cru pensamento
Fez-lhe, o incontido momento,
Fonte infinda do doce pecar.
Buscar-lhe-ei, senhora, em cio
Por inebriante vale, várzea e mata,
Chão e inculto que arrebata
Toda graça em negação.
Indevassável manto que acolhe
Gentil, memórias santas
Suspiros e confissões quantas,
Desvarios do eterno querer.
Oculta aos olhos, penitente
Louvada em artes, verso e imagem
Traz do mundo, nua, a inteira voragem,
De habitar-lhe no gozo inclemente.
Habitáculo de teu ventre...
Habitáculo de teu ventre...
Da testosterona fez-se deusa
Dogma absoluto que refuta
- em sua essência - bem ou mal
Eminência parda que governa
Todo ser que homem se fez.

